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Qual o Arquétipo mais poderoso? Platão nos revela

  • Foto do escritor: Sonhos, Arte e Reflexões
    Sonhos, Arte e Reflexões
  • 5 de set. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 25 de mar. de 2023





Qual o arquétipo mais poderoso? Ficará surpreendido em saber que é o arquétipo que poucos dão importância, ou muitos o confundem com outros arquétipos, ou muitos até mesmo acham que ele não existe. O mais poderoso dos Arquétipos passa despercebido e se não o olharmos atentamente corremos o risco de excluí-lo de nossa vida, e quando isto acontece o espaço fica aberto para todos os tipos de infortúnios entrar.

Para entendermos um pouco melhor teremos de recordar a história dos arquétipos. Platão (428 a.C.), um dos mais importantes pensadores da filosofia grega usou o termo para descrever a ideia de que todas as realidades são apenas cópias de modelos arquetípicos e, portanto, vivenciamos em nosso dia a dia as mesmas histórias que se repetem há milênios. A Mitologia se dedica a estudar estas histórias antigas, desvendar o comportamento dos deuses e tentar explicar seus modos de vida, aventuras e desventuras, além de nos contar histórias sobre a origem do universo. Curiosamente hoje sabemos que os mitos gregos representam algo, ou experiência, ou comportamentos, que se repetem incessantemente até os dias modernos: É o que melhor representa o que hoje chamamos de arquétipos.

Um destes mitos fala-nos sobre a criação da Terra: Talvez você conheça a História de Gênesis sobre a criação do mundo: ‘No princípio Deus criou o céu e Terra, e a Terra era sem forma e vazia, e a Força Ativa de Deus movia-se sobre as águas’, diz a bíblia. É neste momento que chegamos em EROS: A versão da mitologia grega para esta mesma história é: No princípio estava presente o Caos, A Terra (Gaia) e EROS. Note que em ambos os mitos temos três elementos; no primeiro temos três deuses gregos: Caos, Gaia e EROS e no segundo: Deus, Terra e a Força Ativa de Deus (Espírito Santo, como é conhecido).

O personagem EROS, assim como o seu equivalente - o Espírito Santo – é uma energia ativa, contínua e circulante em tudo que existe: TUDO, absolutamente TUDO! EROS é o que move todos os outros arquétipos. Sem EROS nada seria criado e nem poderia, nada existiria ou teria vida. Tudo que dá frutos, que tem progresso, que nasce, que evolui é EROS atuando. Na mitologia grega EROS também é conhecido como AMOR, com letra maiúscula, diferente do ‘amor’ de Afrodite.

No livro o Banquete de Platão, este deus que aqui chamaremos de arquétipo de EROS foi assim definido:

“Assim, afirmo que o AMOR (EROS) é o mais antigo, mais poderoso para aquisição da felicidade entre os homens e o mais honrado... Sem o AMOR não há Afrodite" (amor sexual, macho e fêmea, fertilidade, sexo e prazer, amor físico). O Banquete de Platão, livro digital


Fica claro aqui que o AMOR (EROS), não é o amor comum personificado pela deusa Afrodite que é popularmente. conhecida como a deusa do amor: de uma espécie de amor ligado ao corpo. Afrodite tem um contraponto, uma espécie de amor que chamamos de amor espiritual ou celestial, o amor ao caráter, representado pela deusa Urânia que seria a versão mais platônica do amor. O amor de Afrodite é comum entre os jovens e ligado aos prazeres do corpo; o amor de Urânia é mais visível com a idade e ligado ao caráter e as virtudes da alma. Nenhum destes é EROS.

Nos tempos modernos, muitos confundem EROS com sexo, sexualidade, questões de gênero ou coisas assim, romance ou relacionamentos amorosos, ou seja, veem o amor somente em Afrodite, ou o amor espiritual de Urânia, no entanto, seria um tremendo engano pensar que EROS se resume na busca de sexo ou romance, muito embora seja no romance a forma mais fácil de identificarmos a atuação do arquétipo.

EROS é o AMOR maior, e os filósofos gregos da antiguidade já conheciam EROS como uma energia de atração, “uma força capaz de fazer com que os elementos mais hostis fiquem amigos, e une os mais hostis dos opostos.”

Para entendermos a atuação de EROS é importante que entendamos os conceitos de uma figura conhecida também há milhares de anos: O Yin Yang.




A figura é formada por duas partes, uma branca e outra preta. A ideia original é de que a parte branca estaria iluminada a parte negra estaria na nebulosidade. A figura não é estática, a ideia é de que existe um movimento cíclico e contínuo. A parte negra possui um núcleo branco e a parte branca possui um núcleo negro. O exemplo mais comum citado para explicar a figura é o Sol e a Lua que estão em constante movimento durante as 24 horas do dia: o nascer do sol caminha incessantemente até transformar-se em noite, e a noite não para nem por um segundo sequer em direção ao nascer do dia, e este ciclo se repete infinitamente. Como na figura, o dia possui em seu interior o núcleo que germinará em seu oposto: a noite. Não é possível fixar-se em um lado da figura: ficar só no dia, excluindo a noite, só para citar um exemplo; excluir uma metade seria destruir completamente a figura. Esta figura ilustra qualquer elemento da natureza que desejemos apontar: claro-escuro, som e silencio, inverno e verão ou qualquer par de opostos. Cada uma das partes depende da outra para sua existência e quando esta harmonia é quebrada catástrofes podem acontecer. Existe uma outra consequência também implícita na figura: É o ponto de mutação: por exemplo, quando a maré baixa chega no seu ponto mínimo, inexoravelmente, ela começa a subir, absolutamente nada impede este movimento de ascensão porque é a atuação de EROS, e a energia de EROS é colossal; é sobre a energia de atração deste especular Arquétipo que a figura Yin Yang representa. O que acontece com as marés acontece em TUDO em nossa vida. Do agudo e do grave nasce uma bela obra musical. Tanto na música, quanto em tudo que se possa pensar em nosso universo EROS é a fonte da harmonia.

Nas estações do ano: quando o quente e o frio, o seco e o úmido adquirem uma harmonia somos brindados com tempos de bonança entre os homens, animais e natureza. Esta movimentação do Arquétipo de EROS era muito bem entendida no tempo dos filósofos gregos, que o definiram como a energia de atração para a perfeição, harmonia, vida, criação e totalidade, interconexão profunda entre todos os seres. EROS não atua na presença da violência (Arquétipo de Ares); e quando EROS se retira (degradação da natureza, só para citar um exemplo) o resultado são pestes, geadas, enchentes, frio ou calor extremo, granizos, derretimento de geleiras, efeitos climáticos dos mais diversos são gerados na ausência de EROS. Não é uma vingança, é simplesmente o caminho natural das coisas: É assim que funciona nosso universo. Nada é extático: tudo se movimenta em direção ao seu oposto, como na figura citada.

Possuímos em nosso SER a energia de EROS atuando: Qualquer pessoa apaixonada, seja por outra pessoa, por uma ideia, um objeto, uma causa, um trabalho ou por qualquer coisa que possamos imaginar, se encaixa dentro da energia do arquétipo, mas falar de nós mesmos é muito insignificante diante da energia colossal deste Arquétipo. EROS move a alma, inspira a vida e conduz ao propósito pessoal de ir atrás daquilo que amamos em perfeita harmonia. É a busca pela conexão com o ser, ideia ou objeto amado.

EROS não é o amar (Afrodite ou Urânia), EROS é o AMOR: É o casamento da energia do Masculino com a energia do Feminino no universo, é o magnetismo do Yin Yang, é a união do Animus e Anima, é a harmonia dos opostos. EROS é o que possibilita a existência de nosso Universo!



Bibliografia:

‘O Banquete’ de Platão

Mitologia Analítica, Hélio Couto, São Paulo, EPUB, 2019.


 
 
 

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