O Segredo dos Sonhos: EROS - Um Arquétipo que move a alma e inspira os sonhos.
- Sonhos, Arte e Reflexões

- 5 de set. de 2022
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Atualizado: 9 de fev.

Para entendermos um pouco melhor teremos de recordar a história dos arquétipos. Platão (428 a.C.), um dos mais importantes pensadores da filosofia grega usou o termo para descrever a ideia de que todas as realidades são apenas cópias de modelos arquetípicos e, portanto, vivenciamos em nosso dia a dia as mesmas histórias que se repetem há milênios. A Mitologia se dedica a estudar estas histórias antigas, desvendar o comportamento dos deuses e tentar explicar seus modos de vida, aventuras e desventuras, além de nos contar histórias sobre a origem do universo. Curiosamente hoje sabemos que os mitos gregos representam algo, ou experiência, ou comportamentos, que se repetem incessantemente até os dias modernos: É o que melhor representa o que hoje chamamos de arquétipos.
Um destes mitos fala-nos sobre a criação da Terra: Talvez você conheça a História de Gênesis sobre a criação do mundo: ‘No princípio Deus criou o céu e Terra, e a Terra era sem forma e vazia, e a Força Ativa de Deus movia-se sobre as águas’, diz a bíblia. É neste momento que chegamos em EROS: A versão da mitologia grega para esta mesma história é: No princípio estava presente o Caos, A Terra (Gaia) e EROS. Note que em ambos os mitos temos três elementos; no primeiro temos três deuses gregos: Caos, Gaia e EROS e no segundo: Deus, Terra e a Força Ativa de Deus (Espírito Santo, como é conhecido).
O personagem EROS, assim como o seu equivalente - o Espírito Santo – é uma energia ativa, contínua e circulante em tudo que existe: TUDO, absolutamente TUDO! EROS é o que move todos os outros arquétipos. Sem EROS nada seria criado e nem poderia, nada existiria ou teria vida. Tudo que dá frutos, que tem progresso, que nasce, que evolui é EROS atuando. Na mitologia grega EROS também é conhecido como AMOR, com letra maiúscula, diferente do ‘amor’ de Afrodite.
No livro o Banquete de Platão, este deus que aqui chamaremos de arquétipo de EROS foi assim definido:
“Assim, afirmo que o AMOR (EROS) é o mais antigo, mais poderoso para aquisição da felicidade entre os homens e o mais honrado... Sem o AMOR não há Afrodite" (amor sexual, macho e fêmea, fertilidade, sexo e prazer, amor físico). O Banquete de Platão, livro digital
Fica claro aqui que o AMOR (EROS), não é o amor comum personificado pela deusa Afrodite que é popularmente. conhecida como a deusa do amor: de uma espécie de amor ligado ao corpo. Afrodite tem um contraponto, uma espécie de amor que chamamos de amor espiritual ou celestial, o amor ao caráter, representado pela deusa Urânia que seria a versão mais platônica do amor. O amor de Afrodite é comum entre os jovens e ligado aos prazeres do corpo; o amor de Urânia é mais visível com a idade e ligado ao caráter e as virtudes da alma. Nenhum destes é EROS.
Nos tempos modernos, muitos confundem EROS com sexo, sexualidade, questões de gênero ou coisas assim, romance ou relacionamentos amorosos, ou seja, veem o amor somente em Afrodite, ou o amor espiritual de Urânia, no entanto, seria um tremendo engano pensar que EROS se resume na busca de sexo ou romance, muito embora seja no romance a forma mais fácil de identificarmos a atuação do arquétipo.
EROS é o AMOR maior, e os filósofos gregos da antiguidade já conheciam EROS como uma energia de atração, “uma força capaz de fazer com que os elementos mais hostis fiquem amigos, e une os mais hostis dos opostos.”
Para entendermos a atuação de EROS é importante que entendamos os conceitos de uma figura conhecida também há milhares de anos: O Yin Yang.

A figura é formada por duas partes, uma branca e outra preta. A ideia original é de que a parte branca estaria iluminada a parte negra estaria na nebulosidade. A figura não é estática, a ideia é de que existe um movimento cíclico e contínuo. A parte negra possui um núcleo branco e a parte branca possui um núcleo negro. O exemplo mais comum citado para explicar a figura é o Sol e a Lua que estão em constante movimento durante as 24 horas do dia: o nascer do sol caminha incessantemente até transformar-se em noite, e a noite não para nem por um segundo sequer em direção ao nascer do dia, e este ciclo se repete infinitamente. Como na figura, o dia possui em seu interior o núcleo que germinará em seu oposto: a noite. Não é possível fixar-se em um lado da figura: ficar só no dia, excluindo a noite, só para citar um exemplo; excluir uma metade seria destruir completamente a figura. Esta figura ilustra qualquer elemento da natureza que desejemos apontar: claro-escuro, som e silencio, inverno e verão ou qualquer par de opostos. Cada uma das partes depende da outra para sua existência e quando esta harmonia é quebrada catástrofes podem acontecer. Existe uma outra consequência também implícita na figura: É o ponto de mutação: por exemplo, quando a maré baixa chega no seu ponto mínimo, inexoravelmente, ela começa a subir, absolutamente nada impede este movimento de ascensão porque é a atuação de EROS, e a energia de EROS é colossal; é sobre a energia de atração deste especular Arquétipo que a figura Yin Yang representa. O que acontece com as marés acontece em TUDO em nossa vida. Do agudo e do grave nasce uma bela obra musical. Tanto na música, quanto em tudo que se possa pensar em nosso universo EROS é a fonte da harmonia.
Nas estações do ano: quando o quente e o frio, o seco e o úmido adquirem uma harmonia somos brindados com tempos de bonança entre os homens, animais e natureza. EROS move a alma, inspira os sonhos, e conduz ao propósito pessoal de ir atrás daquilo que amamos em perfeita harmonia. É a busca pela conexão com o ser, ideia ou objeto amado. Este equilíbrio de energias em nossa personalidade é o objetivo dos sonhos.
Esta movimentação do Arquétipo de EROS era muito bem entendida no tempo dos filósofos gregos, que o definiram como a energia de atração para a perfeição, harmonia, vida, criação e totalidade, interconexão profunda entre todos os seres. EROS não atua na presença da violência (Arquétipo de Ares); e quando EROS se retira (degradação da natureza, só para citar um exemplo) o resultado são pestes, geadas, enchentes, frio ou calor extremo, granizos, derretimento de geleiras, efeitos climáticos dos mais diversos são gerados na ausência de EROS. Não é uma vingança, é simplesmente o caminho natural das coisas: É assim que funciona nosso universo. Nada é extático: tudo se movimenta em direção ao seu oposto, como na figura citada.
Possuímos em nosso SER a energia de EROS atuando, mas falar de nós mesmos é muito insignificante diante da energia colossal deste Arquétipo. EROS não é o amar (Afrodite ou Urânia), EROS é o AMOR: É o casamento da energia do Masculino com a energia do Feminino no universo, é o magnetismo do Yin Yang, é a união do Animus e Anima, é a harmonia dos opostos. EROS é o que possibilita a existência de nosso Universo!
Bibliografia:
‘O Banquete’ de Platão
O Segredo dos Sonhos - Energias Femininas e Masculina - Náh Ribeiro
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