Arquétipo do Herói
- Sonhos, Arte e Reflexões

- 20 de jul. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2022

Os regidos pelo arquétipo do Herói são os corajosos, os guerreiros, os super-heróis, os libertadores, os competidores, os atletas, o vencedor da corrida de obstáculos, os que enfrentam todos os desafios com foco e disciplina, de forma corajosa e enérgica. Sempre haverá coisas importantes a fazer para tornar este mundo um lugar melhor para se viver e os Heróis tomam para si esta tarefa, seja um mundo melhor para si, para sua família, sua comunidade, seus país, o planeta. Se ‘achar’ Herói é uma presunção que o verdadeiro Herói não tem. Diferente de ser um simples guerreiro (combatente), o Herói luta por uma nobre causa, por um modo de vida benevolente a todos, luta por princípios, tais como a guerra contra a pobreza, guerra contra as drogas, guerra contra as queimadas, guerra contra a fome, por condições melhores para sua comunidade, cidade ou local de trabalho, guerra contra o Apartheid: Martin Luther King personifica o Herói no discurso: ‘Eu tenho um Sonho”. Em nossa vida diária vemos o arquétipo do Herói presente em qualquer situação que seja necessária uma ação corajosa e energética na superação de obstáculos em prol do resgate de alguma causa ou vítima. Os heróis fazem o que precisa ser feito para resolver o problema, reagem rapidamente a uma crise, simplesmente ‘cumprem seu dever’. Para vencer os desafios será necessário força, coragem, determinação, inteligência, bravura e foco, além de competência e muita disciplina. Sua luta pode ser ilustrada como São Jorge, guerreiro destemido e poderoso lutando e matando o Dragão.
O Arquétipo do Herói no cinema e na vida
Vemos claramente a dinâmica deste arquétipo em filmes tais como ‘Guerra nas Estrelas’, ‘O Resgate do Soldado Ryan’, assim como em séries tais como ‘Zorro’, ‘Super-Homem’ e ‘Jornada nas Estrelas’. O enredo destes filmes é semelhante e, na maioria das vezes, se desenrola, mais ou menos, nos 12 passos a seguir:
1- Primeiro temos um personagem: uma pessoa comum, que leva uma vida normal;
2- Esta pessoa comum tem como que um chamado: Um desejo, algo parece faltar, ou algo que precisa ser realizado com urgência;
3- O conflito aumenta e provoca hesitações, e a pessoa comum tenta convencer a si mesma de que seus ‘sonhos’ não têm tanta importância assim, afinal é muito complicado realizá-los;
4- Neste momento há o encontro com um Mentor. Este Conselheiro pode ser algo interior ou uma pessoa física, um sonho, algo que de alguma forma o força a seguir em frente. É neste momento que a missão é aceita;
5- Chega o momento de arrumar as malas e iniciar o caminho, ou adquirir novas habilidades e disciplina, ou tudo isso junto;
6- Começa o início das provações e neste período o Herói aprende a identificar quem são realmente seus amigos e com quem pode contar em sua missão;
7- Na fase seguinte, voltam os questionamentos sobre os medos iniciais; neste momento se tem uma ideia exata do tamanho da jornada. É um período de reflexão;
8- Aparece em seu caminho um obstáculo de extrema dificuldade e o Herói precisará usar de tudo que aprendeu até aquele momento para superá-lo;
9- O Herói encontra seu tesouro, que pode ser físico, emocional, profissional, educacional, ou a solução do problema ou ainda, uma reconciliação. Neste momento passa a acreditar em si mesmo, reconhecendo sua força e coragem;
10- O Herói percebe que o propósito de tudo aquilo pelo qual passou vai além de seu bem pessoal: atinge um bem coletivo Maior. É o início do caminho de volta ao lar;
11- O inimigo ressurge para uma luta final e o Herói o destrói definitivamente, sua conquista está completa. É como se nascesse uma nova pessoa dentro de si mesmo;
12- A última etapa é o retorno ao lar. É a volta com a solução para ajudar os outros de sua aldeia. Está cumprida sua missão.
Este enredo é similar nos filmes que tenham como temática o arquétipo do Herói. Representa também o mesmo enredo de milhares de histórias semelhantes em nosso dia a dia: por exemplo, pense no rapaz morador do interior que percebe que seus dons na culinária são acima da média, começando a desejar de alguma forma crescer e aperfeiçoar-se. Seu desejo aumenta, mas a princípio, acha que os desafios são muito grandes e ele não estaria preparado para isso. Resolve que talvez seja melhor continuar ali e ir levando a vida.
Mas há um incentivador e esta pessoa o convence de que ele pode ter sucesso: Seu Pai. Com o incentivo deste Mestre, ele resolve fazer as malas e ir estudar gastronomia. Passa por um período de aperfeiçoamento profundo em seus talentos se tornando realmente bom naquilo que faz, realizando vários testes menores: deixa de ser amador para ser profissional, participa de competições de culinária, abre um pequeno restaurante e conhece amigos e inimigos.
Ao pensar que já atingiu o que desejava da vida, resolve parar por aí, mas surge um novo desafio onde terá de colocar em prática tudo o que foi aprendido: Ir para o exterior estudar e trabalhar em uma importante escola de gastronomia. Depois de vencido este desafio maior, o rapaz realmente percebe que nasceu para isto e que finalmente conseguiu sua realização profissional e como pessoa. Mesmo conquistando tudo que desejava, sente que aquilo tem um propósito maior e agora, o que deseja é voltar para sua aldeia e compartilhar tudo o que aprendeu em benefício de todos. Hoje ele é Chef em um Hotel de alto padrão da região, gerando emprego e integração em toda sua aldeia. Esta história é real. Esta é a jornada do Herói; mudam os personagens e as situações, mas o enredo é sempre o mesmo. Isto é um arquétipo: é a repetição de enredos já vividos milhares e milhares de vezes: tem uma sequência pré-definida e nada muda significativamente.
“Existem somente duas ou três grandes histórias humanas.
Elas estão sempre se repetindo,
tão impetuosamente como se nunca tivessem acontecido antes.”
Willa Cather
Marketing para os Heróis
No velho estilo ‘semelhante atrai semelhante’ vemos que as pessoas regidas pelo arquétipo do herói sentem imensa atração pelas marcas, pessoas e empresas que também são regidas por este arquétipo. As marcas são guias e fornecem os acessórios para a jornada do Herói, tais como a Nike, um clássico representante das empresas ligadas ao Herói: O próprio nome NIKE refere-se ao nome da deusa grega da vitória. A identidade heroica de uma marca é vista como uma força motivadora na vida das pessoas, incentivando-as a vencerem qualquer tipo de obstáculo em suas jornadas. São exemplos de empresas que usam o arquétipo do Herói: Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, Corpo de Bombeiros, as Olimpíadas, a maioria dos Videogames, empresas automobilísticas que colocam seu foco na robustez e em carros seguros e resistentes; produtos de beleza também são considerados armas poderosas na guerra contra o envelhecimento; remédios e terapias são um arsenal de defesa na guerra contra as doenças, entre muitos outros exemplos.
O politicamente correto é um quesito a mais e fonte de atração para os regidos pelo arquétipo do Herói, e por isso é importante que empresas que abraçam este arquétipo demostrarem seus valores, sua missão e a ética de suas crenças. A força de um produto para os Heróis está em sua capacidade de fazer o bem.
O Lado negro da força
Uma armadilha comum ao Herói é sua transformação em apenas um ‘combatente’, e sem perceber, ele passa de herói a vilão: seu objetivo deixa de ser as causas nobres do Herói e o que resta é uma necessidade obsessiva de vencer. O grau de exigência consigo mesmo e com os outros é ilusório e beira ao impossível; no caso de uma empresa, há exigências de desempenho cada vez maiores e quem não as cumpre está fora. É importante estar atento ao olhar externo para que a falta de equilíbrio possa ser entendida e os rumos redirecionados. Todo cuidado é pouco!
Paz e luz na tua vida.




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